Se você sofre com constipação, sabe o quanto isso atrapalha o dia a dia.
Muita gente tenta de tudo, mas não consegue resolver o problema de forma definitiva — e na maioria das vezes isso acontece porque ainda não entendeu as causas reais nem fez os ajustes certos na rotina.
Neste artigo, eu explico por que a constipação acontece, quais são os sintomas que definem o quadro e quais são os hábitos e mudanças alimentares que realmente ajudam a melhorar o funcionamento intestinal.
O que realmente causa constipação
Quando falamos de constipação, existem três grupos principais de causas:
1. Hábitos de vida
- Sedentarismo
- Longos períodos sentado
- Rotina irregular
- Ignorar o reflexo de evacuar
- Estresse
- Sono desregulado
Esses fatores têm impacto direto no trânsito intestinal.
2. Alimentação
Grande parte dos casos — cerca de 80% — está relacionada a:
- Baixo consumo de fibras
- Pouca ingestão de água
- Baixo volume alimentar
- Consumo excessivo de ultraprocessados
- Dietas muito restritas ou com proteína em excesso
Tudo isso reduz o volume fecal e dificulta a passagem das fezes.
3. Fatores médicos e fisiológicos
Algumas condições podem causar constipação, como:
- Hipotireoidismo
- Diabetes
- Doença de Parkinson
- Uso de certos medicamentos
- Questões genéticas
Mas, mesmo quando existe uma causa clínica, os ajustes de estilo de vida continuam fundamentais.
O que é considerado constipação de verdade
Muita gente acha que ficar um dia sem evacuar já significa constipação, mas não é bem assim.
É constipação quando ocorre:
- Menos de três evacuações espontâneas por semana
- Esforço excessivo em pelo menos 25% das evacuações
- Fezes tipo 1 ou 2 na escala de Bristol (bolinhas duras, aspecto de caroço)
- Sensação de evacuação incompleta
- Sensação de bloqueio anorretal
- Necessidade de manobras manuais para evacuar
- Sintomas presentes por mais de três meses
Ou seja: algumas pessoas têm um ritmo natural de evacuar dia sim, dia não — e isso pode ser normal, desde que as fezes tenham boa consistência.
Por que algumas pessoas “prendem” mais que outras
Cada pessoa tem um ritmo próprio, influenciado por:
- Genética
- Microbiota intestinal
- Volume e tipo de fibras da dieta
- Quantidade de água ingerida
- Nível de atividade física
- Estresse
- Sono
Por isso, não existe um padrão universal.
É preciso observar como o seu intestino reage a cada ajuste.
Hábitos alimentares que realmente ajudam a melhorar a constipação
1. Água no momento certo
A recomendação é:
- 500 ml de água ao acordar
- 300 a 500 ml de água 15 minutos antes das refeições
- Total diário: cerca de 40 ml por quilo (ou 50 ml/kg para quem pratica endurance)
2. Fibras em todas as refeições
Mas não é qualquer fibra:
o foco é em fibras de alta viscosidade e baixa fermentação, como:
- Psyllium
- Metamucil
- Glucomanã
- Semente de chia
- Linhaça
Também é possível incluir alimentos como mamão, quiabo, abobrinha e frutas mais viscosas.
Um ponto importante é: psyllium comprado a granel pode ser batizado com fibras de baixa qualidade.
Por isso, prefira embalagens com selo da indústria e da Anvisa.
3. Gorduras boas na dieta
Consumir gordura de forma muito baixa pode piorar o trânsito intestinal.
Às vezes, aumentar um pouco a gordura e reduzir carboidratos muito refinados ajuda o intestino a funcionar melhor.
4. Cuidado com excesso de proteína
Se você aumenta proteína, precisa aumentar fibra e água junto.
Caso contrário, é comum o intestino “travar”.
5. Observe alimentos que te fazem mal
Alguns alimentos prendem o intestino em algumas pessoas, mas ajudam outras.
Exemplos citados no vídeo:
- Banana
- Aveia
- Farinhas
- Batata
- Carne vermelha
- Trigo
- Lactose
Por isso, é essencial observar seu próprio padrão — não existe regra única.
Ajustes de rotina que fazem diferença
1. Evite longos períodos sentado
Ficar muitas horas parado piora a retenção de líquidos e reduz o movimento natural do intestino.
2. Mantenha movimento ao longo do dia
Além do treino, movimente-se frequentemente:
- Subir escada
- Caminhar
- Mexer com o cachorro
- Bicicleta por alguns minutos
- Agachamentos
O intestino responde ao movimento.
3. Estabeleça uma rotina intestinal
Isso é muito poderoso.
Por exemplo: beber água logo ao acordar e esperar de 5 a 10 minutos cria um padrão em que o intestino funciona “como um relógio”.
Essa regularidade traz segurança e evita episódios urgentes ao longo do dia.
4. Reduza o estresse e regule o sono
Estresse e sono ruim alteram:
- Comunicação cérebro–intestino
- Níveis de insulina
- Retenção de sódio
- Retenção de líquidos
Tudo isso prejudica o trânsito intestinal.
Rotina sugerida:
- 500 ml de água ao acordar
- Café da manhã com frutas e, se necessário, psyllium ou glucomanã
- 500 ml de água antes do almoço
- Verduras e legumes ricos em fibras viscosas no almoço
- Lanche da tarde com iogurte + chia ou linhaça
- Água antes das refeições
- Repetir o padrão de fibras à noite
Esse conjunto de hábitos resolve 90% dos casos.
Os outros 10% geralmente exigem avaliação detalhada, porque envolvem doenças, medicamentos ou constipação induzida por laxantes.
Conclusão
Constipação não é apenas “ficar alguns dias sem ir ao banheiro”.
Ela envolve hábitos, alimentação, rotina intestinal e até fatores emocionais.
A boa notícia é que, na maioria dos casos, ajustes simples resolvem.
Se você quer melhorar sua constipação, comece com:
- água no horário certo
- fibras de alta viscosidade
- movimento ao longo do dia
- redução do estresse
- observar os alimentos que funcionam para você
E você? Já identificou quais hábitos mais influenciam o seu intestino?
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